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quinta-feira, 1 de setembro de 2011

"Eu não bebo cerveja"








"Eu não bebo cerveja pois dou testemunho bom de quem eu sou.”

Disse todo orgulhoso um conhecido líder evangélico em um programa de rádio, agora a pouco.
Interessante frase, muito interessante, pois ele também associou este fato com outras lideranças evangélicas que ele disse saber que o fazem e por isto são um péssimo testemunho .

Vejam; antes que alguém venha pensar e diga que estou defendendo beberrões de cerveja, glutões, adúlteros ou qualquer outro tipo de atitude que possa ser considerada pecaminosa, adianto que meu objetivo não é esse, meu objetivo é mostrar apenas o que está por trás da frase.

Parece que as coisas que vc não faz em público tem muito maior valor do que aquelas que você deveria realmente fazer.
Não beber , não fumar, não adulterar, ou qualquer outro pecado visível que eu não cometa, tem mais valor para essas as pessoas do que amar.
O que eu não faço, é mais importante do que eu poderia fazer de bom a meu semelhante, o que eu não faço de “mal, ruim ou errado” supostamente tem mais valor do que as boas ações que devo (em amor) a aqueles que necessitam, como por exemplo amar ao próximo.

A palavra para isso é “testemunho!”

Testemunho? Mas testemunho de que? De que eu sou um bom homem, não bebo, não fumo, não adultero? Mas como eu vivo dentro de minha casa? "Como um verdadeiro demônio"; poderá dizer a esposa ou filhos de muitos destes "santinhos"...
Será que eu estaria enganado se dissesse que neste caso a palavra "testemunho" é um sinônimo para aparência?

Durante a semana  cometo todo tipo de pecado menos beber, fumar e adulterar. Atormento minha esposa e filhos dentro de minha casa, promovo enganação, falo mal, difamo, minto em secreto com membros da minha igreja, os mesmos que fazem parte de “minha casta”.

Domingo chega; apareço na igreja com um terno bem alinhado, muito perfumado e bem barbeado para entoar louvores a Deus, no entanto os mesmos não ultrapassam o teto do templo...

“Este povo honra me com os lábios, mas o seu coração está longe de mim" , e nem sequer se pode aproximar por causa do "não me toques", "não andes", "não faças". Não servem a Deus, nem deixam que se aproxime quem o deseje com o coração.”

Para pertencermos a Deus é preciso mais do que uma aparência de santo, é preciso mais do que dizer; “eu sou santo”, para pertencermos a Deus precisamos primeiro reconhecermos nossa incapacidade de agrada-Lo sendo apenas legalistas; na observância pura e simples de preceitos que não geram vida espiritual e fé.
Não serão as tradições, mandamentos, doutrinas, ritos que nos aproximarão de Jesus, o que nos aproximará de Jesus é nosso verdadeiro relacionamento com Ele.

Nossa santidade não se mede pelas coisas que deixamos de fazer ou que dizemos em público, (vide a oração do publicano) nossa santidade deve ser uma realidade interna e profunda que não gera orgulho e nem vaidade por estarmos cumprindo o desejo do Espirito em nossas vidas.
Ela nos conduz segundo a vontade de Deus não por aparência externa mas por transpiração em amor.

Para aqueles que pensam que Deus vê apenas o que se faz dentro da igreja e através de seu testemunho; Não se deixe enganar pois um dia tudo que foi falado e feito em secreto, dentro das portas fechadas, será gritado do telhado.

Que Deus tenha misericórdia de todos nós!

Um comentário:

  1. Meus parabéns, bom texto, é incrível como muitos são crente apenas porque ficam bem de terno e gravata, se ligando somente nas aparências, tendo maior cuidado com o que as pessoas vão achar de si do que seguir uma conduta que de fato agrade a Deus, deixam de fazer certas coisas só para ter motivo para apontar os erros alheios, vejo muito disso em minha agremiação!!!

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