A Bíblia revela que Jesus não se deixa aprisionar por estruturas religiosas, edifícios ou rituais. Embora a igreja física seja importante como espaço de comunhão, ela não contém Deus em si mesma. Como afirma a Escritura: “O Altíssimo não habita em templos feitos por mãos humanas” (Atos 7:48). Quando certa vez disse isso a uma irmã a caminho da igreja, ela se rebelou contra mim dizendo que eu estava errado. Entretanto o pastor que ela tinha em altíssima estima repetiu esse versículo no púlpito, para surpresa dela e minha, Deus estava nos dando oportunidade de confirmar ou mudar de opinião. Jesus está na igreja quando ali estamos reunidos em Seu nome, mas Ele também está em nós e ao nosso redor, pois o próprio Cristo prometeu: “Eis que estou convosco todos os dias” (Mateus 28:20).
O Novo Testamento deixa claro que os verdadeiros templos de Deus são as pessoas. Paulo afirma: “Não sabeis vós que sois o templo de Deus e que o Espírito de Deus habita em vós?” (1 Coríntios 3:16). Isso significa que Jesus não se manifesta apenas no espaço litúrgico, mas na vida cotidiana, no coração transformado, na prática do amor, da justiça e da misericórdia.
A religião, quando se apoia apenas na instituição, na liturgia e na obediência externa, corre o risco de perder o próprio Cristo. Foi exatamente esse o conflito de Jesus com os fariseus. Eles conheciam a Lei, frequentavam o templo e cumpriam ritos, mas não reconheceram o Filho de Deus diante deles. Por isso Jesus disse: “Este povo honra-me com os lábios, mas o seu coração está longe de mim” (Mateus 15:8).
Há pessoas que acreditam que, por estarem na igreja, seguirem regras e cumprirem práticas religiosas, automaticamente estão bem com Deus. Contudo, Jesus adverte que nem todo aquele que O invoca religiosamente O conhece de fato: “Nem todo o que me diz: Senhor, Senhor! entrará no Reino dos céus, mas aquele que faz a vontade de meu Pai” (Mateus 7:21). A verdadeira comunhão com Deus não nasce da submissão cega à instituição, mas de um relacionamento vivo e obediente com Cristo.
Encontrar Jesus fora da religião não significa rejeitar a igreja, mas ultrapassar seus limites formais. Significa reconhecer Cristo no pobre, no doente, no injustiçado, como Ele mesmo ensinou: “Todas as vezes que o fizestes a um destes meus pequeninos irmãos, a mim o fizestes” (Mateus 25:40). Jesus se revela onde há amor genuíno, arrependimento sincero e fé vivida.
Assim, a igreja deixa de ser um lugar onde se “vai buscar Deus” e passa a ser uma comunidade de pessoas que já O carregam dentro de si. Quando a fé deixa de ser apenas religião e se torna vida, Jesus não está mais restrito ao templo, Ele caminha conosco, habita em nós e se manifesta no mundo por meio de nossas ações.
…fazer coisas que Ele não pediu não garante uma vida
plena.
A Bíblia mostra que é possível estar muito ocupado com atividades religiosas e,
ainda assim, distante da vontade de Deus. Jesus deixou isso claro quando
repreendeu os religiosos do seu tempo: “Assim vocês desprezam a palavra de Deus,
trocando-a por ensinamentos que passam de pais para filhos. E vocês fazem
muitas outras coisas como esta.” (Marcos 7:13). O
problema não era fazer algo para Deus, mas fazer sem ouvi-Lo.
Desde o início, Deus demonstra que obediência vale mais do que sacrifício. O profeta Samuel declarou: “Obedecer é melhor do que sacrificar” (1 Samuel 15:22). Uma vida plena não nasce do acúmulo de práticas religiosas, mas da escuta atenta da voz de Cristo e da disposição de segui-Lo. Quando fazemos coisas que Ele não pediu, mesmo com boas intenções, corremos o risco de substituir relacionamento por desempenho espiritual.
Jesus também advertiu que muitos apresentariam obras impressionantes em Seu nome, mas não seriam reconhecidos por Ele: “Senhor, não profetizamos nós em teu nome?… Então lhes direi claramente: nunca vos conheci” (Mateus 7:22,23). Isso revela que o critério de Deus não é a quantidade de ações religiosas, mas a comunhão real com Ele.
A plenitude prometida por Cristo está ligada à permanência n’Ele, não à atividade religiosa incessante: “Permanecei em mim, e eu permanecerei em vós” (João 15:4). Fora dessa permanência, até as obras aparentemente espirituais se tornam vazias e cansativas. Por isso Jesus convida os sobrecarregados não a fazer mais, mas a descansar n’Ele: “Vinde a mim… e achareis descanso para a vossa alma” (Mateus 11:28,29).
Viver plenamente, à luz da Bíblia, é aprender a discernir o que Jesus realmente pede: amar a Deus, amar o próximo, andar em humildade e viver pela fé. Tudo o que ultrapassa isso, quando não nasce do Espírito, pode até parecer devoção, mas não gera vida. A verdadeira liberdade cristã surge quando deixamos de tentar impressionar Deus (como se isso fosse possível) e passamos simplesmente a caminhar com Ele.
Como encontrar Jesus dentro da Religião?
Encontrar Jesus dentro da religião é possível quando o templo deixa de ser o fim e passa a ser apenas o caminho. Muitos entram nos espaços considerados sagrados, participam dos ritos e ouvem as Escrituras, mas não reconhecem Cristo porque O procuram como sistema e não como Pessoa. Jesus não se revela à religião que deseja controle, mas ao coração humilde que deseja verdade. Quando a fé deixa de ser mera observância e se torna obediência viva, o templo já não oculta Cristo, ele aponta para Ele. Assim, quem entra na religião com sede de Deus e não de segurança encontra Jesus, não porque Ele pertença ao templo, mas porque nunca deixou de caminhar entre os que O buscam em espírito e em verdade.
É possível passar por Jesus todos os domingos e ainda assim não vê-Lo. Você entra na igreja e Jesus já está lá em pé, ao lado do banco, esperando por você; entretanto, Ele estende a mão para te cumprimentar e você passa direto por Ele, como se Ele não existisse. Não se engane: Ele está lá por você, não porque more naquele local! E você não o vê...
Ele está no templo, mas não
se veste de ritual.
Fala nas Escrituras, mas não se curva às tradições.
Convida ao arrependimento, enquanto a religião oferece pertencimento baseado no
esforço repetitivo e sem real transformação.
O problema não é estar na
igreja, é estar confortável demais nela, apenas aparentando ter uma santidade,
que no fundo não existe.
Quem entra no templo para proteger suas certezas dificilmente reconhecerá
Aquele que veio para desmontá-las com a verdade: Ele mesmo, o Cristo!
Jesus não se esconde da
religião; é a religião que, muitas vezes, se esconde d’Ele, quando percebe que
Ele não é aquilo que eles querem.
E enquanto muitos defendem o sagrado, Jesus continua lá, sentado, passando ou
ignorado, questionado, bem no meio do culto, mas ninguém o vê.
Da próxima vez que você for à igreja, entre e procure Jesus no meio do povo. Se você não O ver, é porque, na verdade, Ele pode estar em cada irmão ou pessoa, inclusive fora da igreja, aos quais muitos deles Jesus recebeu, e que você sistematicamente tem ignorado. Afinal, como pode amar a Deus, que não se pode ver, se não amares primeiramente ao teu próximo, que podes ver? (1 João 4:20)
Pense nisso na próxima vez que for a igreja.
Nelson Filho













